Andávamos de mãos dadas na rua
Suspirávamos a mesma poluição
Molhávamos os pés na mesma água fria que corria de uma fonte
Que só nós sabíamos
Diante da grande onda que nos atingiu, os verbos se tornaram em tempo passado
Não fazemos mais nada como antes
Só vejo agora tua estranheza: outro rosto e outra voz.
Não tens mais mão nem pés e nem suspiras mais.
Teu compasso de robô é assustador agora.
Nos perdemos um do outro num enorme clarão de festa
Eu ainda sorria quando notei tua ausência
Fiquei parado esperando, aprendi assim a não me perder de minha mãe quando pequeno.
Mas os rios correram, os ventos voltaram, os carros quase me atropelam.
Tinha um novo caminho para te fazer surpresa.
Deixei cair com o susto
Virou trapo e sarjeta, perdeu o valor e o ouro.
Se choro? sempre por dentro
Calos e mais calos de abandonos anteriores
Fui deixado em todas as instâncias
Te vi dobrando uma esquina por um segundo, o sol era forte
Tal qual o clarão que nos cingiu em mil partes
Tu sorrias, como se nunca antes tivesse chorado
Olhou em minha direção, não me reconheceu
Eu engoli minha sina, meu desfecho particular e irônico
Suspirei agora singular.
Refiz e refaço os mesmos caminhos, agora sozinho e pisando firme
Lembra da fonte que bebíamos?
Secamos.
26 agosto 2010
23 agosto 2010
Para Eu Ser Só
Tudo foi friamente arranjado
Cada guardanapo e cada rotação da terra
Para que eu fosse só um apaixonado
Cada mistério entre o céu e o abismo
Cada máquina ordinária feita pelo homem, cada engrenagem
Tudo rangendo por aí, tudo girando e caindo
E eu somente um poeta
Cada flor dada, cada sorriso, cada beijo, o pão que deixei de comer para te dar
E sou só um cantor
Eu mesmo enchi minha cama de cravos
Eu mesmo, minha culpa minha máxima culpa
Eu abracei pra mim todos os erros do mundo para te inocentar
Fui álibi e testemunha
Quando tudo terminou, eu fui sozinho para casa
Ouvi risos, pareciam vir da cozinha
Sons de pássaros revoando, talheres espalhados
A mesa foi posta para dois lugares, mas sento e vejo o vazio
Por eu ser só um amigo
Os ventos trouxeram papéis e folhas secas
Vi versos que fiz passando por mim, soltos e brancos
Vi teu rosto nítido e de olhos fechados
Um Deus um dia resolveu que eu ia nascer e amar e amar e amar
Para ser só.
Cada guardanapo e cada rotação da terra
Para que eu fosse só um apaixonado
Cada mistério entre o céu e o abismo
Cada máquina ordinária feita pelo homem, cada engrenagem
Tudo rangendo por aí, tudo girando e caindo
E eu somente um poeta
Cada flor dada, cada sorriso, cada beijo, o pão que deixei de comer para te dar
E sou só um cantor
Eu mesmo enchi minha cama de cravos
Eu mesmo, minha culpa minha máxima culpa
Eu abracei pra mim todos os erros do mundo para te inocentar
Fui álibi e testemunha
Quando tudo terminou, eu fui sozinho para casa
Ouvi risos, pareciam vir da cozinha
Sons de pássaros revoando, talheres espalhados
A mesa foi posta para dois lugares, mas sento e vejo o vazio
Por eu ser só um amigo
Os ventos trouxeram papéis e folhas secas
Vi versos que fiz passando por mim, soltos e brancos
Vi teu rosto nítido e de olhos fechados
Um Deus um dia resolveu que eu ia nascer e amar e amar e amar
Para ser só.
21 agosto 2010
Parado
Se te amei é porque um dia
A vida foi de uma cor que me agradou
Hoje é indefinido o cenário
Tudo desafina
Porque amei e amo a ti, a ti, a ti e a ti
É que hoje vejo tudo cinza
E no horizonte, mais dessa cor feia e fria.
A vida foi de uma cor que me agradou
Hoje é indefinido o cenário
Tudo desafina
Porque amei e amo a ti, a ti, a ti e a ti
É que hoje vejo tudo cinza
E no horizonte, mais dessa cor feia e fria.
18 agosto 2010
Só Sei Cantar
Por eu sempre estar aqui cantando
Após horas e horas de choro sobre travesseiros
É que acredito na força de me recriar
Depois as lágrimas cessam, fica só aquela terrível dor da amargura seca
Saem palavras ríspidas, cortantes e vítimas: resultado de torturas inimagináveis na pobre alma.
Porém após tudo isso eu canto
Teimosa, louca e inutilmente.
Por eu não estar preparado pra mediocridade das pessoas, nem pra minha própria
Eu sempre tenho que me recriar
Por mais que doenças congênitas venham junto.
Consigo cantar
E só o que sei fazer, e consigo, no meu leito de morte
Balbucio fracas notas, sem qualidade alguma
Mas por dentro tenho a maior força e o maior consolo:
"o que me alivia são meus tristes ais"
Por eu sempre sobreviver ao abandono e ao desamor
É que meu canto só tem valor pra mim mesmo
Não tenho platéia nem ensaio nenhuma canção antes.
Então caminhando sobre essas águas turvas
É esse o caminho: quem prometeu não cumpriu
Um novo sonho se desfez, um amor que morre, uma amizade falsa, um fim, um ponto, um coração partido.
E eu cantando, até quando?
Após horas e horas de choro sobre travesseiros
É que acredito na força de me recriar
Depois as lágrimas cessam, fica só aquela terrível dor da amargura seca
Saem palavras ríspidas, cortantes e vítimas: resultado de torturas inimagináveis na pobre alma.
Porém após tudo isso eu canto
Teimosa, louca e inutilmente.
Por eu não estar preparado pra mediocridade das pessoas, nem pra minha própria
Eu sempre tenho que me recriar
Por mais que doenças congênitas venham junto.
Consigo cantar
E só o que sei fazer, e consigo, no meu leito de morte
Balbucio fracas notas, sem qualidade alguma
Mas por dentro tenho a maior força e o maior consolo:
"o que me alivia são meus tristes ais"
Por eu sempre sobreviver ao abandono e ao desamor
É que meu canto só tem valor pra mim mesmo
Não tenho platéia nem ensaio nenhuma canção antes.
Então caminhando sobre essas águas turvas
É esse o caminho: quem prometeu não cumpriu
Um novo sonho se desfez, um amor que morre, uma amizade falsa, um fim, um ponto, um coração partido.
E eu cantando, até quando?
17 agosto 2010
Amor Furado
Quem diria
Eu perdendo o sono
Eu perdendo as rédeas
E o bom humor
Perdendo mais um ano
Mais uma juventude cada vez mais breve
Perdendo oportunidades de morrer em paz
Perdendo a paz, enfim
Paz que eu nunca tive, mas sempre fingi ter
Quem diria, eu perdendo o tempo de falar e de calar.
Agora é esperar perder o amor
Mais um que destrói e imobiliza
Quem diria eu quase perdendo a esperança
De acreditar na vida
Essa vida ruim, de lágrima todo dia.
Ainda assim, melhor perder o amor que a vida.
Afinal, os dois não são a mesma coisa.
Eu perdendo o sono
Eu perdendo as rédeas
E o bom humor
Perdendo mais um ano
Mais uma juventude cada vez mais breve
Perdendo oportunidades de morrer em paz
Perdendo a paz, enfim
Paz que eu nunca tive, mas sempre fingi ter
Quem diria, eu perdendo o tempo de falar e de calar.
Agora é esperar perder o amor
Mais um que destrói e imobiliza
Quem diria eu quase perdendo a esperança
De acreditar na vida
Essa vida ruim, de lágrima todo dia.
Ainda assim, melhor perder o amor que a vida.
Afinal, os dois não são a mesma coisa.
15 agosto 2010
Um Texto Realmente Feliz
Ok.
Você venceu
Agora que entrei em casa, posso tomar meu banho em paz
E preparar um leite quente
Com conhaque, se tiver
E ver tv.
E assim ser feliz.
Mesmo não gostando da programação do dia
Nem de leite, nem de conhaque
Nem de estar sozinho
Nem de tomar banho em paz
Que eu ame guerras, nunca as terei
Que eu ame peças de teatro e filmes no cinema
Nunca serei platéia
Que eu gostasse dos teus olhos castanhos, verdes, ou pretos
Nunca fui visto por eles.
Que eu adore mensagens ao celular
Ninguém sabe meu número
Que eu ame a noite e os sons que fluem dela
Que eu ame as pessoas e suas estranhas manias
Tudo que eu amo, foge e se esfumaça
Estou feliz tomando leite e olhando a tv.
(tela cinza muda e cega!!!)
Esqueci de ligá-la.
Pronto, agora sim, um desenho animado.
Devo rir
É o que todo mundo espera de mim agora:
Que eu sorria vendo isso.
Ok, vocês venceram.
Vejam como estou feliz, rindo de um rato que tripudia de um gato.
Você venceu
Agora que entrei em casa, posso tomar meu banho em paz
E preparar um leite quente
Com conhaque, se tiver
E ver tv.
E assim ser feliz.
Mesmo não gostando da programação do dia
Nem de leite, nem de conhaque
Nem de estar sozinho
Nem de tomar banho em paz
Que eu ame guerras, nunca as terei
Que eu ame peças de teatro e filmes no cinema
Nunca serei platéia
Que eu gostasse dos teus olhos castanhos, verdes, ou pretos
Nunca fui visto por eles.
Que eu adore mensagens ao celular
Ninguém sabe meu número
Que eu ame a noite e os sons que fluem dela
Que eu ame as pessoas e suas estranhas manias
Tudo que eu amo, foge e se esfumaça
Estou feliz tomando leite e olhando a tv.
(tela cinza muda e cega!!!)
Esqueci de ligá-la.
Pronto, agora sim, um desenho animado.
Devo rir
É o que todo mundo espera de mim agora:
Que eu sorria vendo isso.
Ok, vocês venceram.
Vejam como estou feliz, rindo de um rato que tripudia de um gato.
12 agosto 2010
Contrações
Como me dói toda a cidade
Com seus prédios e os vidros das janelas
E as luzes
E as pessoas que a gente perde
As pessoas que a gente nunca teve
Todos os buracos vazios e as tampas dos esgotos
Como é solitário voltar pra casa todo dia
Da labuta diária de perdas e danos
De notícias ruins e de gritos ásperos
De gestos de mãos frias e que apontam para outro lado
Quero tanto abraços quanto ficar sozinho
Após a cidade deve haver um grande campo
Para onde se vai quando se quer desaparecer
O amor de anos a fio, acabou
Outros tantos nem começaram
Alguns amigos sumiram
As flores dão espinhos hostis, o pássaro voou
Nenhum animal quer ser domesticado
Não farei mais festas
Não cantarei certas canções
Darei sorrisos repetidos, lembranças de uma infância, talvez
Nada atual
Todo santo dia, nessa cidade, há um pouco de morte
A minha, claro
Um dia mais, outro menos
Mas sempre há o mesmo choro
Que viaja por cada calçada onde ando.
Me segue até em casa, deságua em travesseiros e chuveiros
E renasce cada vez mais forte, com a manhã que cruel
também é promessa de liberdade.
E quem sabe, paz.
Às Cegas
O que há por trás dessa porta?
Por que todo esse silêncio?
Onde guardo os pratos?
Onde escondo os cacos do prato?
Para onde vou agora?
Devo ficar ou seguir adiante?
Visto preto ou azul?
Importa?
As paredes, o teto
Tudo de um azul tão sereno
Os móveis, os sofás são todos confortáveis
As camas quentes
Todos estão felizes
Onde acendo a luz?
Para quem entrego essa flor?
Quem vai comprar o que eu vendo?
Meu aniversário está perto?
Quando meus ausentes chegam?
Da outra vez, eu deixei a sala
E ninguém notou
Por que todo esse silêncio?
Onde guardo os pratos?
Onde escondo os cacos do prato?
Para onde vou agora?
Devo ficar ou seguir adiante?
Visto preto ou azul?
Importa?
As paredes, o teto
Tudo de um azul tão sereno
Os móveis, os sofás são todos confortáveis
As camas quentes
Todos estão felizes
Onde acendo a luz?
Para quem entrego essa flor?
Quem vai comprar o que eu vendo?
Meu aniversário está perto?
Quando meus ausentes chegam?
Da outra vez, eu deixei a sala
E ninguém notou
09 agosto 2010
Episódio Final
Meus segredos acabaram
Outros capítulos de novela virão
Sem reviravoltas, sem casamento nem gravidez
Aqui os vilões são recompensados e o sofrimento dos mocinhos continua após os créditos subirem.
Os atores se despem do papel mas continuam padecendo.
Nada no mundo consegue ser diferente da vida.
Meu cansaço chega longe, estrada eterna de poeira
Versos e mais versos, varridos e reciclados
Todas aquelas manhãs que acordei e vi o céu azul
Eu desejava inventar um novo prazer
Eu enganei meus próprios segredos
Perdi meu controle remoto, não sei (me) desligar
Não sei interpretar um papel sequer, nem de bêbado, nem de mocinho, nem de vilão, nem um personagem de Shakespeare. Nenhuma palavra em minha boca é convincente.
Não sei amar, nem sei não-amar
Sei dizer as palavras erradas, sei ser a pessoa errada na hora errada.
Na hora certa, eu não nasci ainda.
Não sei estar cansado, mas estou
E é desconcertante não saber fechar os olhos para dormir
A vida parece tão longa de estrada de poesia de poeira de dor de pó de amor
As poesias parecem tão longas, também
Poesias...
Inúteis.
Sempre foram.
07 agosto 2010
Desabafo Cego de Lágrimas
Dessa vez é pra valer:
Adeus
Dói tanto dizer isso, mas, chega.
E não, não te perdôo por nada
Não esqueço nada
Terei sempre lembranças ruins
e chorarei ao ouvir teu nome
Me arrepend0 do dia que te conheci
E do dia que nasci também.
Me arrependo por te amar
E por cada palavra de amor dirigida a ti
E por cada gesto de carinho
Tudo em vão
Tanto amor acabou em nada
Tanto amor foi revertido em nada
Em menos que nada
Em dor, em desprezo, em mentira.
Dessa vez foi pra valer: adeus
Como devia ter sido antes
Melhor olhar o mar, enorme, azul e solitário
Melhor chorar vendo a lua branca e virgem
Melhor morrer e ser abraçado pela terra e seus vermes
Do que um dia, ter te amado
Vá ao inferno e fique por lá.
Adeus
Dói tanto dizer isso, mas, chega.
E não, não te perdôo por nada
Não esqueço nada
Terei sempre lembranças ruins
e chorarei ao ouvir teu nome
Me arrepend0 do dia que te conheci
E do dia que nasci também.
Me arrependo por te amar
E por cada palavra de amor dirigida a ti
E por cada gesto de carinho
Tudo em vão
Tanto amor acabou em nada
Tanto amor foi revertido em nada
Em menos que nada
Em dor, em desprezo, em mentira.
Dessa vez foi pra valer: adeus
Como devia ter sido antes
Melhor olhar o mar, enorme, azul e solitário
Melhor chorar vendo a lua branca e virgem
Melhor morrer e ser abraçado pela terra e seus vermes
Do que um dia, ter te amado
Vá ao inferno e fique por lá.
03 agosto 2010
Mais um Adeus de Até Logo.
Quando a dor é muita
As palavras somem, covardes.
Aqui são algumas que catei nos cantos e quinas
E atrás dos móveis.
É preciso ter dentro da gente um mundo
Com pessoas, lugares, Deus.
Porque no mundo de aqui fora, se torna impossível viver às vezes
As pessoas de fora tornam-se estranhas completas
Frutos da total falta de preocupação e amor.
Ou estaria eu com Alzheimer?
Porque não reconheço nenhum dos rostos como amigáveis.
E tenho lembrança de pessoas que me conhecem, mas que acabaram de pegar um avião
Ou outra que está calada há anos.
Não posso recorrer a elas.
Então há o outro mundo.
Mas lá é tão solitário quanto
Sou só eu ou todo ser humano?
Os filósofos já falaram tanto disso, mas não li o suficiente.
O motivo da dor é quando morrem as pessoas
Ou o amor por elas, ou o carinho por elas
Ou os sonhos com elas.
E o pior mesmo, é quando morrem as pessoas e ficam os sentimentos.
O velho amor não correspondido.
Minha eterna sina.
"As coisas deveriam morrer, antes de ficar por aí, perambulando mortas."
As palavras somem, covardes.
Aqui são algumas que catei nos cantos e quinas
E atrás dos móveis.
É preciso ter dentro da gente um mundo
Com pessoas, lugares, Deus.
Porque no mundo de aqui fora, se torna impossível viver às vezes
As pessoas de fora tornam-se estranhas completas
Frutos da total falta de preocupação e amor.
Ou estaria eu com Alzheimer?
Porque não reconheço nenhum dos rostos como amigáveis.
E tenho lembrança de pessoas que me conhecem, mas que acabaram de pegar um avião
Ou outra que está calada há anos.
Não posso recorrer a elas.
Então há o outro mundo.
Mas lá é tão solitário quanto
Sou só eu ou todo ser humano?
Os filósofos já falaram tanto disso, mas não li o suficiente.
O motivo da dor é quando morrem as pessoas
Ou o amor por elas, ou o carinho por elas
Ou os sonhos com elas.
E o pior mesmo, é quando morrem as pessoas e ficam os sentimentos.
O velho amor não correspondido.
Minha eterna sina.
"As coisas deveriam morrer, antes de ficar por aí, perambulando mortas."
31 julho 2010
Urgente
"A mim,
Caro eu mesmo.
Favor não ceder a olhos brilhantes, nem ao espelho.
Cumprir as obrigações e resolver as pendências.
Despir-se de todo e qualquer amor latente, sua saúde não é das melhores.
É seguro respeitar as mágoas, elas te salvarão.
Não acredite em estranhos, e principalmente
Identifique quem são os estranhos.
E o mais importante: não volte no tempo.
Os dinossauros foram extintos e você vai na mesma onda.
Sabemos que é difícil partir, mas chegar não está em suas mãos.
Apenas respeite o rancor que sentes.
Não ligue pros discursos de perdão e tolerância:
Já morreste antes. Sabes como é.
A dor e tudo mais.
Escrevi mais do que queria: mas você seja breve em tudo
O que importa é sobreviver.
Não escute as bobagens brancas ou azuis, escute o seu coração em pedaços.
Ele é o melhor exemplo e mais morta testemunha.
Não esqueça de se proteger da chuva, do calor e do vento tão agressivo.
Se feche na concha se precisar
Não corrija o português desse texto, nem passe suas roupas com cuidado.
Simplesmente caminhe e cante.
Prometa que vai nos deixar em paz dessa vez, sim?
Sei que você sabe o que fazer, desculpe os conselhos inúteis.
Sei também que dessa vez haverão menos lágrimas.
Não se sinta triste louco e só.
Eu, pelo menos, te amo."
Caro eu mesmo.
Favor não ceder a olhos brilhantes, nem ao espelho.
Cumprir as obrigações e resolver as pendências.
Despir-se de todo e qualquer amor latente, sua saúde não é das melhores.
É seguro respeitar as mágoas, elas te salvarão.
Não acredite em estranhos, e principalmente
Identifique quem são os estranhos.
E o mais importante: não volte no tempo.
Os dinossauros foram extintos e você vai na mesma onda.
Sabemos que é difícil partir, mas chegar não está em suas mãos.
Apenas respeite o rancor que sentes.
Não ligue pros discursos de perdão e tolerância:
Já morreste antes. Sabes como é.
A dor e tudo mais.
Escrevi mais do que queria: mas você seja breve em tudo
O que importa é sobreviver.
Não escute as bobagens brancas ou azuis, escute o seu coração em pedaços.
Ele é o melhor exemplo e mais morta testemunha.
Não esqueça de se proteger da chuva, do calor e do vento tão agressivo.
Se feche na concha se precisar
Não corrija o português desse texto, nem passe suas roupas com cuidado.
Simplesmente caminhe e cante.
Prometa que vai nos deixar em paz dessa vez, sim?
Sei que você sabe o que fazer, desculpe os conselhos inúteis.
Sei também que dessa vez haverão menos lágrimas.
Não se sinta triste louco e só.
Eu, pelo menos, te amo."
27 julho 2010
Náufrago

Numa ilha
Palmeiras tropicais
Mares infestados de tubarões
Perfumes noturnosUma ou duas estrelas
Tudo tão bonito e triste
Uma lua enorme e branca, pra quê?
Pra nada, iluminar caminho algum.
É uma ilha.
Ninguém que vista linho branco
Nenhum cabelo ao vento, nenhuma voz
Sempre a voz.
Tudo tão azul e surdo.
Um navio ao longe? Não, resquícios de um sonho
Que tive semana passada
Quando ainda era dia
E eu tinha remos (lembra deles?)
Podia fugir e teria chegado são e salvo.
Chegado onde?
Não há onde ir. Os portos fecharam.
Tenho âncoras nos pés.
Quero enviar uma mensagem para ti numa garrafa
Dizendo "eu só queria um pouco de amor"
Mas vim parar na ilha, virei selvagem
Tudo tão urgente e distante.
Se eu fechar os olhos, fizer um pedido
Tudo que é triste vai sorrir?
Não.
Não sei nadar
E tenho âncoras nos pés.
25 julho 2010
Canto de Temor e Saudade
Era manhã, e sempre sou desapercebido.
Entrei na cozinha e ouvi, sobre minha cabeça, um barulho de flauta viva.
Demorei pra entender o que eu via e ouvia, palavras me vieram à cabeça:
ave, pássaro.
Mas nada disso, de forma alguma
O nome é passarinho.
Amarelo, pequeno e canoro.
Alguém o pusera ali, dentro da gaiola, a própria gaiola que eu jamais tinha visto antes.
E ele parecia tilintar, era uma pepita.
E olhei seu bico e os olhinhos e me senti tonto de alguma emoção fugidia.
Dormi dias e o vi de novo, veio pra ficar.
E cantava, como se soubesse que é a única linguagem que entendo.
Passarinho, passarinho, quanto mais eu o chamava mais minha voz era quente e cheia de rios.
Paixão louca por aquele pequeno ser.
O mistério era a gaiola aberta, e ele não voar, fugir.
Imaginei que alguma coisa nele estava quebrada. A asa?
Ou algo por dentro.
Todo dia eu vejo, escuto o passarinho.
É o que existe de mais amarelo e vibrante em minha casa.
Às vezes digo "meu passarinho" e as palavras soam tristes e mentirosas.
O meu amor só é prisão pra mim mesmo.
Tudo o mais que amo voa por aí.
Tenho medo egoísta que ele se cure, ou descubra a porta aberta, confesso.
Um dia a gaiola estará vazia, e eu também.
Desejo por segundos, nunca ter escutado o primeiro e agudo som.
Nunca ter amado o passarinho, passarinho.
Que quer crescer, leio no modo como gira a cabeça
E nas notas que ele entoa quando está distraído
Pois não vou impedir, que cresça, que se cure, que saiba da porta aberta, que voe, que acabe nas garras de um felino ou outro predador.
Mas rezo, enquanto ele canta, que se voar dali, saiba do limoeiro que cresce junto à janela do meu quarto.
E onde haverá sempre água, alpiste e uma voz desafinada que inveja seus trinados.
17 julho 2010
Restante
Nesta hora, todos saíram
Alguns pediram carona, uns estão dormindo
Uns caminham a pé, outros dirigem
Uns comemoram, outros olham pela janela solitários
Nesse exato momento uns correm, debandam, deixam a cidade
Apertam o cinto de segurança, embarcam em um avião
Pulam de pontes, se embriagam e dormem no colo de seus amores
Uns tomam um susto e outros baixam a cabeça decepcionados
Perdem a fé, enquanto outros enlouquecem
Uns guardam segredo, outros são mistérios, outros desabafam e muitos falam demais
Uns se calam, outros pra sempre, nesse momento um perdoa e outro é perdoado
Agora alguém se enche de uma mágoa que será eterna.
Há um minuto atrás alguém foi esquecido numa estrada escura
Alguém foi deixado sozinho no meio da vida
Alguém acordou e não sabe onde está
Alguém perdeu a visão, outro os sentidos, outros perderam o amor
Existe alguém que perdeu tudo isso
Em breve alguém se cansará de esperar
Outro venderá seu violão.
Um que limpará as lágrimas na própria camisa
Por falta de lenço e de consolo
Uns nessa noite sentem esperanças e ficam tristes porque ela não os deixa desistir
Outros desistem
Uns chamam, e uns não respondem.
Nessa hora tudo é vazio
Uns se arrependem, outros decidem tudo errado
Há alguém cantando e há alguém escutando
Há alguém que lê e alguém que escreve
Há alguém sendo enganado, há alguém rindo da piada
Há um plano secreto e alguém o executa
Nesse tempo há alguém que foge de si mesmo
E há um amor que se acaba.
No instante seguinte alguém já viveu, já amou e já morreu
No próximo minuto haverá uma vítima, um carrasco, uma testemunha
No presente momento há toda essa gente escondida em seus quartos, salas e bares
E há alguém, sozinho sem nem mesmo seus fantasmas
Que foram exorcizados na hora errada
Quando mais se precisava de companhia
Já que nesta hora, todos fugiram
E não há carne e osso que baste
E que salve o solitário nesse minuto
De contar seus mortos.
Alguns pediram carona, uns estão dormindo
Uns caminham a pé, outros dirigem
Uns comemoram, outros olham pela janela solitários
Nesse exato momento uns correm, debandam, deixam a cidade
Apertam o cinto de segurança, embarcam em um avião
Pulam de pontes, se embriagam e dormem no colo de seus amores
Uns tomam um susto e outros baixam a cabeça decepcionados
Perdem a fé, enquanto outros enlouquecem
Uns guardam segredo, outros são mistérios, outros desabafam e muitos falam demais
Uns se calam, outros pra sempre, nesse momento um perdoa e outro é perdoado
Agora alguém se enche de uma mágoa que será eterna.
Há um minuto atrás alguém foi esquecido numa estrada escura
Alguém foi deixado sozinho no meio da vida
Alguém acordou e não sabe onde está
Alguém perdeu a visão, outro os sentidos, outros perderam o amor
Existe alguém que perdeu tudo isso
Em breve alguém se cansará de esperar
Outro venderá seu violão.
Um que limpará as lágrimas na própria camisa
Por falta de lenço e de consolo
Uns nessa noite sentem esperanças e ficam tristes porque ela não os deixa desistir
Outros desistem
Uns chamam, e uns não respondem.
Nessa hora tudo é vazio
Uns se arrependem, outros decidem tudo errado
Há alguém cantando e há alguém escutando
Há alguém que lê e alguém que escreve
Há alguém sendo enganado, há alguém rindo da piada
Há um plano secreto e alguém o executa
Nesse tempo há alguém que foge de si mesmo
E há um amor que se acaba.
No instante seguinte alguém já viveu, já amou e já morreu
No próximo minuto haverá uma vítima, um carrasco, uma testemunha
No presente momento há toda essa gente escondida em seus quartos, salas e bares
E há alguém, sozinho sem nem mesmo seus fantasmas
Que foram exorcizados na hora errada
Quando mais se precisava de companhia
Já que nesta hora, todos fugiram
E não há carne e osso que baste
E que salve o solitário nesse minuto
De contar seus mortos.
16 julho 2010
Silencioso
Deus quando ouvir minhas preces
Terá bastante trabalho em catalogá-las
Peço tudo tão simples, que chega a ser aviltante.
Mas nas simplicidades existem os prazeres de inúmeros filamentos brilhantes.
O fato é que o chão e o teto é tão difícil de se ter quanto um lustre de cristal ou um papel de parede raro.
O chão e o teto, maior ambição de quem quer paz.
Vivemos em frequentes brigas de trânsito.
As ruas nunca estão liberadas para nós.
Pedir uma estrada de terra faz parte dos meus planos
Uma estrada de terra, distante e deserta
Uma lua acima de palmeiras
Um abrigo (teu) um colo (teu)
Algum abrigo, algum colo
Algum conforto ao dormir, ao morrer
Uma vida que tenha sinos tocando de vez em quando.
E o fim desse sorriso desanimado.
É (só) tudo isso que peço.
Terá bastante trabalho em catalogá-las
Peço tudo tão simples, que chega a ser aviltante.
Mas nas simplicidades existem os prazeres de inúmeros filamentos brilhantes.
O fato é que o chão e o teto é tão difícil de se ter quanto um lustre de cristal ou um papel de parede raro.
O chão e o teto, maior ambição de quem quer paz.
Vivemos em frequentes brigas de trânsito.
As ruas nunca estão liberadas para nós.
Pedir uma estrada de terra faz parte dos meus planos
Uma estrada de terra, distante e deserta
Uma lua acima de palmeiras
Um abrigo (teu) um colo (teu)
Algum abrigo, algum colo
Algum conforto ao dormir, ao morrer
Uma vida que tenha sinos tocando de vez em quando.
E o fim desse sorriso desanimado.
É (só) tudo isso que peço.
13 julho 2010
Pequeno Desabafo de Madrugada ou Cansaço Enfim.
Sabemos o que é lutar por alguém
Se dedicar
Tratar com carinho
Querer bem
Elogiar
Ver detalhes
Querer cuidar
Se preocupar
Se importar
Fazer rir
Estar presente
Tentar entender
Tentar consolar
Mas amar?!
Com essas portas fechadas?!
11 julho 2010
Buscando Água

Quero uma surpresa:
Sendo meu próprio Papai Noel, não espero o Natal
Me dou algo muito parecido com uma flor
Branca, de perfume doce, e cresce nos escuros espaços entre a alma e o corpo.
"Porque Papai Noel não existe, é só um velho com aquela roupa"
Minha sobrinha pequena me disse, satisfeita por não estar sendo enganada desde cedo.
Quase acrescento: "pois alguns nem velhos são"
Eu deveria esperar dezembro pra falar disso, mas nada tem a ver com as festas natalinas.
Tem a ver com o nascimento em pleno julho da minha flor branca, de cacto, em meio a espinhos.
A gente tem que armazenar de alguma forma a água, para quando vier a seca.
Quando vier a realidade nua e crua, a ordem de despejo, o litígio e a morte
Quando quem você ama te esquecer num ponto de táxi qualquer
Quando as vassouras levantarem a tua poeira
E quando pingarem iodo em tua ferida
Temos de ter água para beber
Tanta amargura, e ainda assim existem as flores brancas e as surpresas
E os pequenos e particulares natais acontecem, em um solitário dia de domingo.
Prêmio Dardos

"Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."
Fico muito satisfeito em saber do reconhecimento de outros que como eu, amam as palavras e as coisas que elas dizem.
Faz parte da brincadeira a gente premiar alguns blogs que a gente gosta, então lá vai:
- Sonhos Lúcidos
http://liainfinitoparticular.blogspot.com/
Textos de uma delicadeza e força ímpares, tudo da Lia.
- Mundos Castanhos
http://versoscastanhos.blogspot.com/
Do Bruno Mariano, que simplesmente quis escrever e foi e fez.
- [G]Rito de Passagem
http://gritodepassagem.blogspot.com/
Marina Leitão sendo plena em seu encanto
- Caneta Insone
http://canetainsone.blogspot.com/
Pungentes e verdadeiras palavras de Luis Arthur Costa
- Despoesia
http://desposeia.wordpress.com/
De Plínio Renan, artista fazendo arte.
- Wild Horses
http://alphaeridani.blogspot.com/
Inteligência e sensibilidade de Manuely Silva
06 julho 2010
Inerte
A sensação é que tudo já foi dito
E talvez tenha sido
Hoje me desarmo das palavras pra dizer:
Esse texto que escrevo é simples e pobre.
Mas é assim que ficam os corações quando recomeçam.
A amar e a esquecer.
Ao mesmo tempo.
Cada vírgula é imprópria
As páginas em branco estão por dentro de mim.
E elas não passam de borrões e rascunhos.
Aquele familiar gosto doce de mágoa
Fazendo minha boca salivar
E os olhos fazerem o que mais sabem: lágrimas
Um texto pífio de lamento e desordem
A tendência de um corpo cansado de navegar
Por mares salgados
Uns olhos sem brilho, uma voz rouca
Um grito de carinho preso na garganta
Se recusando a ser engolido.
Quem sabe, nesse exato momento
Eu esteja desistindo de ser poeta
E sendo apenas um sofredor comum
Sem nenhum charme
E contas a pagar
E talvez tenha sido
Hoje me desarmo das palavras pra dizer:
Esse texto que escrevo é simples e pobre.
Mas é assim que ficam os corações quando recomeçam.
A amar e a esquecer.
Ao mesmo tempo.
Cada vírgula é imprópria
As páginas em branco estão por dentro de mim.
E elas não passam de borrões e rascunhos.
Aquele familiar gosto doce de mágoa
Fazendo minha boca salivar
E os olhos fazerem o que mais sabem: lágrimas
Um texto pífio de lamento e desordem
A tendência de um corpo cansado de navegar
Por mares salgados
Uns olhos sem brilho, uma voz rouca
Um grito de carinho preso na garganta
Se recusando a ser engolido.
Quem sabe, nesse exato momento
Eu esteja desistindo de ser poeta
E sendo apenas um sofredor comum
Sem nenhum charme
E contas a pagar
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