28 setembro 2006

Quase Rotina


Olho pro lado.
Empurro o prato, não tenho fome.
Bebo três copos de água seguidos.
Escuto uma buzina e me irrito.
Lembro que amo.
Quase choro.

Folheio um livro.
Pego uma caneta, ela não tem mais tinta.
Me olho no espelho, sorrio.
Lembro que amo.
Quase grito.

Canto com voz grave.
Depois tento uma nota aguda.
Minha voz treme e falha.
Lembro que amo.
Quase paro.

Alguém me pergunta as horas.
Digo sorrindo que não sei.
O vento derruba um papel da mesa.
Lembro que amo.
Quase durmo.

Empurro as horas.
Olho o papel no chão.
Escuto uma voz aguda.
O vento derruba o copo vazio.
Não tenho espelho.
Não tenho tinta.
Meu sorriso treme e falha.

Lembro que amo.
Quase esqueço.

25 setembro 2006

Você Mente Por Que?

Ultimamente tenho dado de cara com algo que está mais ao nosso redor do que a gente imagina: a mentira.
Pra se falar de "mentira" teria que se falar de "verdade"....
Porém não há nada mais contraditório e ilimitado que o conceito de "verdade".
Mas algo não se pode negar: a mentira existe, seja a verdade o que ela for.
Sempre defendi a idéia de que ninguém mente "por mentir".

Hoje não defendo mais essa idéia, porque não entendo mais como funciona o mundo.
Pessoas mentem e não se sabe porque.
Hoje mesmo alguém disse "tem gente que mente porque gosta".

Além das mentiras que tenho ouvido, hoje assisti um espetáculo de dança contemporânea cujo tema eram as "mentiras sinceras".
"Mentiras sinceras não me interessam" .. esse verso gravou na minha mente.
O que me interessa? a verdade terrível?
Durante a peça um dos bailarinos que interagia com a platéia, me perguntou "você já mentiu com a intenção de fazer alguém sofrer?"
Fiquei sinceramente chocado com a pergunta... balancei a cabeça negativamente quase me sentindo ofendido!
Mas enguli metade do "não" porque há muito deixei de entender também como eu funciono.

Alguém na platéia chorou.
Um homem jovem.
Ver um homem jovem chorando ao se falar de mentiras gravou na minha mente.
Outro bailarino me perguntou: "você já mentiu hoje?" e pra minha amiga do lado : "você mentiria pra proteger alguém?"
Que perguntas perturbadoras!
Pensei se já menti pra proteger alguém , se já menti pra magoar alguém, se já menti sem saber porque e se já menti porque gosto de mentir.
E também se alguém já mentiu pra me proteger..
Pra me magoar já sei bem a resposta.

Saí do teatro olhando pras pessoas e pensando: eu minto, ele mente, nós mentimos, eles mentem.
O mundo mente o tempo todo.
Daqui a um tempo, a mentira será uma virtude?
Ou ela já é?

Será possível viver sem mentir?
Tantas vezes elas podem amenizar certas dores.
Porque a realidade é arame farpado.
Porém nunca esqueço que se mente pra magoar alguém.
Isso pra mim é monstruoso, já não chega a verdade que dói, mas agora a mentira também??

Sempre tive dificuldades em perdoar essas mentiras.
Já desejei que os mentirosos de carteirinha morressem a pior morte.
Hoje nem mágoas, nem pragas... relaxei.
Querer justiça nesse mundo e nessa vida é querer enxugar gelo.

Eu minto, tu mentes
Ele mente, nós mentimos
Eles mentem...

Pra magoar???

Se a mentira tem pernas curtas, tem porém os braços longos, pra acolher seus filhos, inúmeros.

18 setembro 2006

Sempre É Tempo De Amar


Tem o que caminhava comigo todo dia.
Tem a que fazemos transmissão de pensamentos .
Tem o que mora longe mas que está sempre perto.
Tem a ovolactovegetariana.
E o que já foi modelo.
Tem a que é um "pouco" distraída e odeia abacaxi.
Tem o que vive me dando conselhos ousados.
Tem a que diz que "a vida é uma coisa viva"
Tem um que é "O Cara".
Tem uma que adora fazer remédios.
Tem outro que me chama de "Cauzito".
Tem uma que tem a voz mais sexy que há.
Tem outro que em certas fotos parece muito comigo.
Tem uma que de tão imprevisível, é a "bela dos ventos!".
E tem o que me manda "s6pt" no messenger.
Tem a amazonense que canta agudos com uma mão nas costas.
Tem também o que é muito chato.
Tem a que eu vi crescer e hoje é quase maior que eu!
Tem o que às vezes some, mas, vivo, sempre aparece.
Tem aquela que tem as amídalas de gelatina.
Tem o que faz body-sistem por mim.
Tem a melhor e mais doce soprano do país.
Tem o que me manda músicas que eu já tenho.
Tem a que eu chamo de "pequena"
E tem a "mama" que me deve uma macarronada.
Tem o que vivia me pedindo 1 real.
Tem a que brincávamos no Jardim II.
Tem o que dança flamenco com maestria.
Tem o casal mais show e suas histórias divertidas.
Tem a que era "pedra" comigo num passado recente.
E o casal mais brasileiro dos EUA.
Tem a que tinha medo de cachorros e hoje tem um e é louca por ele
Tem uma que é das pessoas mais sinceras que conheço.
E tem a mais alta representante da Herbalife.
Tem a que foi comigo pra uma reserva indígena.
Tem o que me mata de inveja por morar no frio.
Tem a que só escuto a voz na festa de amigo-secreto.
Tem o que diz que não me entende.
Tem a que faz caixinhas lindas como ela mesma é.

Tem outros, que fazem e são muitas outras coisas.
Mas todos são iguais numa coisa que me fazem:
Me encantam.

Mar É Mar, Vida É Vida.

Vivo pensando em como deve ser fazer certas coisas que nos causam medo.
Nadar no mar à noite.
Ou nem nadar, mas mesmo tomar banho no mar à noite.
Poucas coisas me causam tanto terror só em pensar.

Sempre gostei de olhar pro mar.
Se me deixarem, sou capaz de ficar horas olhando, olhando..

Não sei em que momento deixo de ver o mar e vejo a vida.
Mas o mar nunca perde o encanto pra mim.

Porém, mesmo admirando o mar, eu o temo profundamente.
Não sei nadar.
E à noite...

Tenho certeza que ali na beirinha mesmo tem um tubarão
Ou seres estranhos que vão me puxar pra o fundo
Nem consigo imaginar... pensar nisso é mergulhar no pânico.

Mas hoje me imaginei nadando no mar de noite
Dizem que à noite a água é quentinha...
Isso aumenta meu pavor, porque é no conforto que o mal ataca.

Fico pensando se no dia que eu souber nadar e fizer isso à noite eu me tornarei outra pessoa.
Se verei a vida de outra forma
Mas talvez eu jamais seja capaz
Conheço alguém que morre de medo de altura.
Vivo desafiando essa pessoa a andar numa roda gigante ou montanha russa
Ela tem certeza que morreria.
Bom..talvez não chegasse a tanto, mas qual o proposito?
Acho que de repente certas coisas não devem ser feitas.

Vou tentar ser feliz sem precisar nadar à noite.
Não é necessário, além do mais, fazemos coisas piores e sobrevivemos.
Como viver sem ter o amor de quem se ama, por exemplo.

Uma vez numa brincadeira me disseram: "o mar é a vida, o muro é a morte"
Não sei se essa comparação é ideal.
Tenho medo de viver na escuridão?
Ninguém ensina um peixe a nadar, ninguém ensina um homem a viver.
Mas aquele nada e esse vive.

Vivo pensando em como deve ser fazer coisas que nunca farei.
Umas porque não quero... como nadar à noite...
E outras porque não são possíveis... como ser feliz.

29 agosto 2006

Ainda Falando, Amando E Vivendo.



Escrevo contra minha vontade.
Aliás, amo contra minha vontade
Vivo contra minha vontade.

Quem me obriga a fazer essas coisas é a minha velha amiga estúpida, a Esperança.

Acredito nela contra minha vontade.
Por mim, me calava, odiava e morria.

Minha amiga esperança tem uma inimiga mortal, a Vida.
Talvez ela seja mais minha inimiga, pois todo dia pontualmente tem uma rasteira pra me dar.
Mas dizem que ela é bonita, é bonita e é bonita.
Bom, minha amiga Esperança também diz isso.
Mas ela é burra, burra, e cega também.
E como eu já disse antes, tem problemas de audição.
Mas é super competente a minha amiga.
Me leva a fazer tanta coisa!
Ela me ensina a fazer minha parte.
E eu faço, obediente.

Ela me diz que devo viver porque um dia serei amado!
E eu contra minha vontade acredito.

Mas devo parabenizar também a Vida.
Ela também é super competente.
Todo dia ela vem me mostrar o contrário do que a Esperança diz.
Apanho dela... levo bofetadas em cheio, ela cospe na minha cara e ri.
Depois sai pra beijar seus protegidos.
Não sei porque ela jamais gostou de mim.

Já a coitada da Esperança, me adora.
Jamais me larga.
Eu gosto dela também...

A Esperança tem soldados que me auxiliam a acreditar.
Eu os chamo de amigos.
A Vida também tem os soldados dela.
Não posso evitá-los porque eles estão ao meu redor do mesmo jeito.
Mas treinados pra me destruir.
Alguns nem sabem, coitados.
Ou até sabem... enfim, eu só acredito na Esperança.

Ela me acordou hoje, a Esperança.
Ela disse "acorda!!!!é mais um dia!"
E eu contra minha vontade, acordei.

Ela diz que um dia a Vida vai ser minha amiga também.
E eu contra minha vontade acredito.

Continuo fazendo minha parte.
É difícil e dolorosa, mas faço tudinho.
Não quero que me acusem de não correr atrás da Felicidade.
Essa não é minha amiga nem inimiga, eu simplesmente não a conheço.

"Um dia de cada vez", me diz a Esperança.
Às vezes duvido dela... a acho tão inacreditável!
Mas ela faz parte de mim.
Se ela não me faz feliz, pelo menos tenta.
E tudo que eu ainda tento, é por ela.

27 agosto 2006

Ô Juventude Bonita!

Nem experimenta, já rejeita.
É assim com as crianças, se a comida não tem aparência atraente, não importa o gosto.
Se vira a cara.
Uma vez ouvi: "criança gosta de cores, desenhos, música tem que ser animada e fácil de se cantar... que dê pra ela pular e se divertir."

O que é ser adulto?
Pra muitas pessoas, é apenas medir um pouco mais do que antes.
Porque continuam crianças.


Não no sentido positivo: perdoar fácil, ter a confiança original, a energia e a humildade de aprender.
Mas no negativo é mais freqüente: Depois que "crescem" continuam escolhendo o prato pela aparência e brincando de viver.

O que são os adultos de hoje em dia?
Os jovens que se orgulham de não serem mais crianças?

Eles pensam?
Eles decidem?

Ou eles escolhem os parceiros pela boa roupa, pelo cabelo da moda, pelos belos olhos de lentes de contato coloridas?
Eles escolhem seus companheiros (amigos, amantes) pelo caráter, pelas ações, pelos valores, ou pelo bolso, pelo corpo esculpido ou pela popularidade?

Me lembram os doces coloridíssimos que crianças adoram e que provocam cárie e dor de barriga depois.
Mas quando adultos, não mudam. Ainda os querem.


Se você está com a roupa certa, e é agradável de se ver, então você pode falar a bobagem que quiser, pode ser fútil.
Pode mentir, pode ser desonesto, pode trair e aprontar todas.
Será perdoado, e até admirado.
Porque se quem lhe vê não pensa, também não enxerga, não sente.
Não faz nada, só se mostra.

Que músicas eles ouvem?
Aquelas que fazem pensar, refletir, as que falam algo afinal, ou as que fazem dançar apenas?
Música pra dançar é pra dançar, música pra pensar é pra pensar.

Mas nossa linda juventude ouve música pra pensar?
Ela lê algo?
Ela FAZ ALGO?
Pensar pra muitos é atividade inútil... "o negócio é CARPE DIEM"!!!!

Bom, quem sabe no final , são até mais felizes, não é mesmo?
Anestesia faz passar a dor.

Nós, a juventude...
Como somos belos, não?
Sim, somos bonitos.

E o que mais?

Morro Porque Amo


Amo porque vivo
Vivo porque sei
Sei porque vi
Vi porque cri
Cri porque chorei
Chorei porque sofri
Sofro porque sei
Sei porque vejo
Vejo porque vivo

Vivo porque amo.

05 agosto 2006

"Uma Pausa De Mil Compassos."


Nunca fui tão infeliz.

As palavras já cessaram.
O riso já se calou.

Me restou na face um olhar de espanto.
Como quem achou que haveria um caminho.
E encontrou um muro sem fim.
Nem um passo mais é possível.

O segredo é a grande questão.
Não saber realmente porque os ombros se curvaram, cansados.

Ou saber tanto, que parece não ser possível.

"Nada sei desse mar, nado sem saber."
Ou me afogo sem saber.
"Se soubesse não nascia."

Me calarei agora.
Os dedos também cansaram de escrever sobre a dor.
E eles doem também.

Nem uma lágrima derramo.
Enquanto há lágrima há esperança.
Mas os olhos com o tempo, viram desertos.

Vida, me calarei!
Até que você mesma retire a mordaça da minha boca.
Sim, pois foi você que a colocou, não me culpe pelo desastre.

Vou me calando num processo de sepultamento.
Só o pensamento voa.
O peito suspira pesado.
As mãos tremem e caem ao longo do corpo.

Me silencio.

04 agosto 2006

Uma Terra Fria.


.....

_Mãe, qual a diferença entre amor e paixão?
_Humm.. dizem que amor é um sentimento calmo, profundo e certo. A paixão é voluptuosa e fervilhante, faz as pessoas tremerem e sentirem calafrios.
_Então a paixão é mais legal??
_Não sei..
_Mãe, quando amamos alguém, devemos dizer a essa pessoa que a gente a ama?
_Dizem que sim.
_E a senhora o que diz?
_Não digo nada, não amo ninguém.
_E papai??
_Não amo seu pai.
_E.. eu???
_Tampouco.
_A senhora se ama?
_Não.
_Nunca amou?
_Não sei.
_ A senhora é feliz?
_Não.
_Se amasse seria?
_Se eu amasse, seria mais infeliz.
_Devo amar ou devo ser igual à senhora?
_Faça o que você quiser, nada importa.
_Se eu disser que lhe amo, a senhora vai me amar também?
_Não, não funciona assim.
_O que eu tenho que fazer pra que a senhora me ame?
_Calar a boca.
.....

Esse diálogo fictício é perfeitamente possível.

Se fala tanto em amor, e nem percebemos que ele está prestes a virar lenda.
Diz a Bíblia: "Nos últimos dias, o amor de muitos esfriará."

E o mundo se tornou esse lugar terrível de se viver.

02 agosto 2006

Um Filme, Uma Obra de Ficção.

Sempre gostei de cinema.
E sempre assisti comédias românticas também.
Mas um dia, quando vivi, percebi a grande diferença.

Ainda assisto comédias românticas, mas com o mesmo espírito de quem assiste um filme de ficção científica.
Simplesmente porque na minha opinião a comédia romântica aliena. Tanto ou mais que um filme de romance mais sério, pois ela se aproxima mais do cotidiano, faz com que nos identifiquemos mais, e usa uma linguagem mais próxima do real.
Pra contar uma história muito distante dessa mesma realidade.

Há algumas semanas assisti um filme desses.
Uma mulher já na casa dos 30, era a única na família que ainda não tinha casado.
Os irmãos e familiares tentavam "arranjar alguém" pra ela.
Até que ela usou mão dos serviços da internet para encontrar um "candidato".
Apareceram vários.( Claro, porque é um filme, uma obra de ficção)

Ela foi a vários encontros e esteve diante de vários tipos de homens.
Um falava alto, outro chorava fácil, outro fazia qualquer coisa lá que não combinava com a imagem do "príncipe encantado que ia transformar a noite dela num sonho".
Ela, lógico, descartava todos esses num piscar de olhos, eram mostrados como patéticos, ridículos (talvez de fato fossem), e portanto, a "mocinha, grande estrela e mulher charmosa e especial que ela era", não merecia tal coisa.
Até que, (Claro, como é um filme, uma obra de ficção) ela encontra aquele que fala as coisas certas nas horas certas e até seus pequenos defeitos são "encantadores" e divertidos.

O príncipe encantado!!!!!!!!!

Ok, como você, pessoa comum e filha de Deus, sairia do cinema?
Mesmo no subconsciente, da próxima vez que você fosse conhecer alguém, iria aplicar uns padrões "elimina sapo/encontra príncipe".
E sinto muito, mas grandes chances seriam de você se dar muito,mas muito mal.

Porque simplesmente não estamos num filme, e o roteiro da nossa vida não foi escrito pelas mãos de um roteirista que quer arrastar pessoas ao cinema e deixá-las encantadas.

Na vida real é tão diferente...
Muitas vezes é a pessoa que fala alto, que tem um problema de dicção ou qualquer mania estranha, que vai nos proporcionar momentos de felicidade.
Mas nós nem paramos pra dar uma chance a elas... porque nosso pensamentos está em quem vai falar as coisas certas na hora certa, e cujos defeitos serão encantadores e divertidos.

Essa pessoa existe?
Pode até existir...mas pode ser que ela não goste de você... pode ser que ela more no pólo sul ou já tenha morrido no século XVII.
E aí?
E aí que o resultado será a solidão e uma vida sem amores.
Espere o príncipe encantado ou a princesa de cachinhos dourados e o que você encontrará pode ser as teias de aranha no seu quarto e seu reflexo envelhecido no espelho....passou a vida esperando.
Não estou pregando a desilusão, nem a amargura.
Estou contando que a vida precisa ser entendida como algo real onde tudo pode acontecer, de bom, e de ruim também.
E quando assistir comédias românticas, lembre-se:
É um filme, uma obra de ficção.

31 julho 2006

E A Vida Levou...


Caminhando no calçadão da av.Beira Mar, tudo tranquilo, quando de repente uma movimentação ao meu redor e vejo fiscais chegando e apreendendo as mercadorias que os vendedores expunham na calçada... cearenses e os famosos coreanos.
Tudo muito rápido, coisas sendo recolhidas, sacolas e gritos.
Ah, e choro, que esse nunca falta em lugar nenhum.

Mas lembro de uma senhora , daqui mesmo, agarrada com uma pequena bolsa, chorando e falando coisas que eu (ainda bem) não ouvi.
Só sei que a imagem dela era de uma pessoa devastada.

O que fazer se de repente suas mercadorias são apreendidas?
Nem quero saber.
Porque geralmente não temos ação.

A nossa vida é uma constante "batida policial".
No meio dos nossos planos vem um furacão e devasta tudo.
Vem uma tempestade surgida não sei de onde e nos "baratina".
Um pé chuta em cheio nosso castelo de areia.

O pior que não estávamos fazendo nada de mais.
Só vivendo.

Mas amanhã estarão lá de novo os vendedores.
E nós também sempre nos reconstruímos.
Mas não com paz e tranquilidade.
Isso é a primeira coisa que a vida se encarrega de apreender.

17 julho 2006

"O Bom Passado"

Uma das coisas mais interessantes que eu ouvi nos últimos tempos foi sobre a nossa teimosia em ter um "bom passado".
Eu ouvi sobre isso em relação à capacidade de perdoar.

Mas não sei falar disso porque perdôo fácil quando amo.
Aliás, não me conheço quanto ao perdão.
Funciono aleatoriamente: perdôo um e outro não.
Nunca parei pra pensar em como funciona meu sistema "doador de perdão".

Portanto, saber do "bom passado" na verdade pra mim abriu outros horizontes.

Nós temos uma intenção inconsciente ou mesmo consciente de querer que nosso passado seja bom, bonito e agradável.
Como um cartão-postal.

Sim, nós queremos que nosso passado seja um lindo cartão-postal.
Afinal, porque eu ocultei dos meus álbuns as fotos que estou com a boca aberta e torta ou com cara de bobo?

Porque no que representa nosso passado, deve constar o belo, sorrisos, cores vivas, pessoas que amamos.
Mas..
E quando alguém mancha nosso passado, nos magoando, mentindo, nos fazendo sofrer?!
Se hoje alguém nos fere, está marcando nosso passado, pois amanhã mesmo o dia terá ido.

Mas não perdoamos quem estraga nossa paisagem que era tão bonita!
Puxa vida, agora tenho cicatrizes, agora nosso álbum terá fotos tristes.
Ou sejam, mancharam nosso cartão-postal.

Mas quem disse que o passado deve ser um cartão-postal?
Quem disse que precisamos contar uma história cheia de coisas perfeitas?
Porque até nos contos de fadas, existem bruxas, madrastas e dragões que atormentam os príncipes e as donzelas.
Nós mesmos podemos ter estragado o cartão-postal de alguém, e por isso não merecemos perdão?

Até hoje meus maiores problemas vêm da minha dificuldade de desvencilhar do passado.
Em me conformar e aceitar as manchas.
Todo dia me esforço em limpá-las, em deletá-las, mas do meu PASSADO!

Porque perdemos tempo se há o presente para nos preocuparmos?
Uma vez um amigo defendia alguém de erros que tal pessoa cometera no passado.
Eu duro e impiedoso, disse apenas : "Não se deve esquecer o que ele fez no passado, pois não foi outra pessoa, e sim a mesma de hoje. Se foi uma cobra peçonhenta antes, hoje o seu veneno não virou suco de laranja."

Infelizmente eu tinha razão quanto à essa pessoa.
Mas fiquei triste por eu ter sido tão implacável. Hoje, sou mais flexível.

Se vamos perdoar ou não, é escolha nossa, mas entendamos se não é apenas uma vaidade tola que nos faz ter rancor por pessoas que apenas sujaram nosso passado.
Mas ninguém jamais disse que a vida de qualquer pessoa seria só flores.

E se falta motivos pra perdoar, sejamos então egoístas: guardar ódio, mágoa ou rancor causa câncer, gastrite e úlceras. Pelo menos é o que dizem, e deve ser verdade.
No mínimo essas emoções ruins endurecem a face, criam rugas e vincos no canto da boca e olhos.

Ficaremos feios de qualquer maneira na foto.

14 julho 2006

Ainda...


"E meu coração embora finja fazer mil viagens, fica batendo parado naquela estação..."

A letra da música quase me mata de susto. Porque é verdade.


Como demoramos pra superar as coisas!
Na verdade somos um projeto do que gostaríamos de ser.

"Esquecer o ruim e lembrar o bom."

Não funciona assim... pelo menos não sempre.
Pelo menos não comigo.

Ainda posso ver meu pé firmado no lugar onde fui deixado.
"Quando você se perder da sua mãe, fique parado no mesmo lugar que ela voltará e você será achado."
Talvez eu tenha ouvido isso e aplicado em tudo.
Porque não deixo o lugar onde morri!
Ao meu lado, podem haver campos verdejantes e cheios de novas possibilidades.
Eu então vou a esse campo.
Passeio por ele, deslumbrado.. vivendo tudo de novo.

Não. Mentira.
É tudo fingimento, eu na verdade ainda estou lá onde foi meu sacrifício.
Pisei em cola.
Talvez eu seja fascinado pelo meu sangue no chão.

Eu me vejo voando por outras paisagens, cheirando novos perfumes, provando outros sabores.
Porém é tudo minha imaginação.
Porque a realidade é: estou fincado no mesmo lugar.
Mas não pra sempre, creio eu, pois já me movi um bocado.

Mas entendi que por mais que eu dê voltas em novos caminhos, sempre termino na estação de antes.
Esperando, esperando...

É preciso um esforço sobre-humano pra sair de onde você me deixou... eu confundo você com a minha mãe e acho que um dia você voltará para me buscar.

Um dia pisarei de verdade nos campos verdejantes vizinhos, mas confesso que sentirei saudade do meu banquinho de onde eu via os trens passando e você ausente de todos.

10 julho 2006

A Caixa


Segundo a mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher, que , ao receber de Zeus uma caixa que não deveria ser aberta, fez o contrário: abriu-a e dessa caixa saíram todos os males do mundo.
No fundo da caixa estava uma virtude: a esperança.
Mas Pandora fechou a caixa antes que essa pudesse sair.
Portanto, segundo a lenda, a esperança está trancada, inútil dentro de uma caixa.

Nós, pra sobrevivermos, temos que pendurar a esperança no pescoço.
Porque em um determinado momento de nossas vidas, nós abrimos uma caixa.
A nossa "caixa de pandora."
Os males pulam à nossa frente, às vezes de um por um, outras vezes vêm todos de uma vez.
O que nos aflige já saiu de dentro de nós e agora torna-se real, está voando ao nosso redor.
Entrou na nossa órbita.
Nós tentamos resolver nossos problemas. Mas alguns são indissolúveis.

Em que momento abrimos essa caixa?
Quando nos conhecemos.

Quando deixamos de sermos estranhos a nós mesmos e passamos a achar familiar aquele nosso rosto no espelho.
Quando sabemos o que dói, o que fere e machuca.
Quando sabemos o que nos faz felizes.

A dica é não fechar a esperança na caixa.

Sem ela não damos um passo.
Sem ela nunca mais acreditaríamos num sorriso ou em qualquer palavra.
Se ela é burra, é um julgamento à parte.
Estúpida, irracional.. mas necessária.
Esperança é crer no que não depende de nós.

O que nos sustenta é o que nós esperamos.
Percebem?


03 julho 2006

Me Falta Açúcar


Há algo entre o doce e o amargo em mim.
Está indeciso, porque ambos têm fôrça.

É doce a canção quando eu a escuto depois de chorar.
É doce o meu olhar pra coisas belas e tristes que me pertencem.
Ainda é doce meu sorriso quando algo de bom me acontece.

É amargo o gosto em minha boca, após ouvir o "não" nosso de todo dia.
É amarga a minha voz ao desligar o telefone e dizer pra mim mesmo: "mas a vida segue..."
É meio-amargo meu chocolate predileto.

Mas esse é o equilíbrio.
É difícil gostar de um café sem açúcar (eu às vezes gosto)
Como também é complicado suportar derramar muito açúcar numa pequena xícara desse mesmo café.

O amargo demais nos causa repulsa, o doce demais nos causa repúdio.

Mas nem sempre temos a opção de largar a xícara na mesa.
A vida nos faz engolir o café sentindo todo o gosto, nada pode faltar.
Claro, isso quando ele está muito doce ou sem açúcar algum.

Quando o café está delicioso, perfeito, quente e cheiroso, a xícara quebra-se na nossa frente e o líquido corre pelo chão até o ralo mais próximo.

Hoje meu lado amargo escreve esse texto. Ele aliás, é o mais inspirado dos dois, pois a vida o alimenta mais.
Mas há a doçura em mim de escolher essa foto bonita.

Preciso de mais doce.
Mas o que eu tenho ainda está me salvando.

30 junho 2006

Nem Todos Serão Felizes

Ficção:

João e Maria se amavam, mas o pai dele, a mãe dela, o irmão dele, a prima dela, o avô dele e a arrumadeira dela eram contra o romance e tentaram impedir que ficassem juntos.
Aliás, ninguém os queria juntos, nem os amigos.

Chamaram Matilde, muito mais bonita que Maria, e a apresentaram a João.
Ele viu que de fato ela era mais bonita que Maria, mas Maria tinha a alma mais pura, era inteligente e ele a amava afinal de contas, então ele não quis Matilde.

Trouxeram Joaquim , mais bonito que João, e ainda por cima, era rico, e o apresentaram à Maria.
Maria percebeu que ele tinha muito dinheiro, e também era desejado por todas as suas amigas...mas João era mais divertido, a fazia rir, entendia o que ela falava e tinha personalidade forte, e ela também o amava.
Mandou Joaquim ir passear.

João e Maria deram as mãos e foram enfrentar a família , os amigos e agregados que os queriam separados. Os vilões inventaram mentiras, calúnias, forjaram situações para um ter raiva do outro.
Nada adiantou, eles descobriram as mentiras, desconfiaram dos planos e tudo foi desmascarados.
Os inimigos do amor dos dois desistiram e foram embora, viram que Paulo e Carolina estavam rindo muito um pro outro e resolveram que iam ser contra os dois, tinha mais futuro.

João e Maria então, se beijaram e foram muito, mas muito felizes juntos.

Realidade:

João e Maria se amavam, mas o pai dele, a mãe dela, o irmão dele, a prima dela, o avô dele e a arrumadeira dela eram contra o romance e tentaram impedir que ficassem juntos.
Aliás, ninguém os queria juntos, nem os amigos.


Chamaram Matilde, muito mais bonita que Maria, e a apresentaram a João.
Ele viu que de fato ela era mais bonita que Maria, mas Maria tinha a alma mais pura, era inteligente e ele a amava afinal de contas...
Mas percebeu também que na verdade o que ele queria era uma mulher bonita e não uma alma pura e inteligente.
Viu também que na verdade nem amava Maria, pelo contrário, ele já tinha era repulsa por ela.
Deu um chute em Maria e casou com Matilde.


Onde está Maria??
Casando-se com Joaquim, afinal ela entendeu que procurava por alguém rico e que matasse de inveja suas amigas. João era divertido, mas quando ela quisesse rir, iria ao circo.

E onde está o amor dos dois???
Está nos livros de histórias infantis, nas comédias românticas de Holywood e no coração de pessoas como eu e você.

Que perigo nós corremos não é?
Amar nessa selva é pedir pra morrer de dor.

27 junho 2006

Um Carinho Em Quem Merece


Hoje estive com dois amigos que se revelaram duas excelentes surpresas no meu dia de segunda-feira e claro, na minha vida.
Pessoas certas não apenas na hora certa, pois pra elas não há hora errada.

Então penso em todos os meus amigos.
Tenho alguns que estão por perto desde quando éramos crianças, e outros que apareceram por agora, mas que vieram pra ficar.

O que é se ter amigos? alguém sabe explicar?
É uma extensão de si mesmo?
Meus amigos serão versões diferentes de mim? Em vários modelos, tamanhos, cores e idéias?

Não, eles são bons demais pra serem minhas versões.
São todos muito eles, originais, mas tão familiares...

Pessoas belas, lindas.
Exercito com elas o amor, amor esse que em outras áreas foi sufocado.

Mas às vezes amo em silêncio, como quem não quer acordar a criança que dorme linda, ou não quer espantar o passarinho que pousou, raro e delicado, na nossa janela.

Então pronto, a amizade é rara e delicada.
É estranho falar de raridade quando vêm tantos nomes ao meu pensamento, de amigos.
Mas falo porque com meus amigos aprendi a me permitir falar e fazer.

Por isso tenho certeza, se me faltam muitas coisas , me sobram amigos.
Esses dois de hoje e aqueles da infãncia igualmente me fazem uma pessoa melhor.
Não falarei de defeitos aqui hoje.
A imperfeição deles me fascina.

É simples, o prazer de se perceber que se tem amigos mais do que a maioria das pessoas têm, me faz sentir uma espécie de privilegiado.
Não se enganem, não falo de colegas, nem de conhecidos, são pessoas que não são superficiais nas suas relações, antes, são profundas.

Queridas e queridos, vocês são responsáveis por lágrimas de felicidade terem rolado, e por outras de tristeza terem secado em meus olhos antes de molharem meu rosto, quando eu simplesmente lembrei que vocês existem.

25 junho 2006

São Pessoas Lá Fora.

Viver numa cidade grande é viver diferente.
Nem sei se é viver ou sobreviver.
O fato é que às vezes se perde a noção de humanidade.

Um dia desses, no ônibus, um daqueles garotos que vendem bala de gengibre subiu.
Era a milésima vez em uma semana.
Ele começou a falar: "peço um minuto da sua atenção, eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas não, estou aqui vendendo balas de gengibre com canela.."
Eu já me preparava pra virar o rosto pra janela, como já era hábito e como também estavam fazendo os outros 40 passageiros do ônibus.

Mas..
O menino estava falando comigo!
É como se ele dissesse : "Carlos, peço um minuto da sua atenção, eu podia estar matando.."

Eu não tinha dinheiro, e nem gosto de bala de gengibre, mas tive que olhar para ele e ouvir tudo que ele tinha a dizer.
Quando ele terminou foi passando pelos bancos e eu neguei a balinha com a cabeça.

Outro dia, passando com um amigo na rua, um mendigo, naquela situação bem típica de mendigos (sujo, bêbado, maltrapilho), nos chama : "ei, jovens."
Meu amigo continuou andando, como sempre eu também fazia.
Mas eu parei.
Eu sabia que ele ia me pedir dinheiro, e eu sabia que eu também não tinha (sim, eu nunca tenho).
Mas tive que ficar parado em frente ao mendigo escutando o que ele tinha pra me dizer.
Meu amigo ia na frente e quando notou que eu parei olhou pra mim espantado, com expressão de "por que você está ouvindo o mendigo???"
Lógico, quando ele temrinou de pedir os 0,50 centavos, eu disse "perdão,não tenho."
Acenei com a cabeça bem rápido e continuei. Meu amigo ria de mim.

E eu agora sou assim...
Uma amiga comentou "ei, percebi que os garis que recolhem o lixo na minha porta todo dia têm um rosto!"
E assim vamos percebendo que são pessoas, e nós aprendemos que quando alguém fala com a gente, o mínimo que devemos fazer é escutar.
E eu me pergunto: "pra quê?"

Isso não deve ter o menor efeito.
A minha mesma amiga me explicou: "pode não ter pra eles, mas nós nos sentimos melhor".

Que tal? detrás da minha "nobreza" de olhar pro vendedor de balinha, há o egoísmo de eu não me sentir desumano ou mal-educado.
O que nós fazemos que não seja por egoísmo?

Realmente, efeito não deve ter... mas é uma percepção inegável: "alguém me chamou e quer me falar algo!"
Algo que eu já sei, que eu não vou poder ajudar.
Mas ignorar?
Não sei nem se consigo mais.

Mas continuo me perguntando:
É hipocrisia minha?
Ou é puro egoísmo?

Mas nada muda na minha cabeça o fato de que , quando alguém, que nasceu de uma mulher, que respira, pensa e tem uma personalidade, chega e diz "por favor, um minuto da sua atenção" eu não deva virar o rosto e fingir que não ouvi.
Pelo menos dizer "não, não dou" eu sinto vontade de dizer!
Mas às vezes isso me soa incoerente.
Chegamos ao ponto de discutir se é coerente prestar atenção a pessoas que viraram "semi-humanos" na nossa percepção só porque pertencem a uma "classe social inferior".

É confuso e triste,não acham?

Mas já posso até ouvir os comentários:
"_Ah,tenho um amigo que toda vida pára e ouve o que os mendigos vão pedir, mesmo que ele não tenha nada pra dar!"
"_Kkkkkkkkk, quero ver no dia que ele for assaltado!"

Puxa, como é desconfortável sair de casa às vezes.

23 junho 2006

A Fera E O Belo


Adoro gostar do que é feio.

Mas, ultimamente , tenho me irritado com defeitos.
Os meus defeitos, das pessoas e das coisas.
Me martirizo porque rejeito a afeição ao belo somente.
Ao útil, ao perfeito e ao harmônico.

É uma pena, porque...
Quero gostar de dissonantes, de cores que não combinam.
Quero não sentir calafrios quando alguém é mesquinho.
Gostaria muito também de não me castigar por acreditar nos outros.

Peço desculpas ao mundo, mas só suporto meus próprios defeitos, pois eu que me conheço, os justifico.

Queria não ter prazer de me livrar de algo que me incomodou.
Mas ultimamente sou mais prático que piedoso.
Mas ainda assim, sou tão capaz de amar!
Como na mesma medida desprezo quem mereça.

Certas pessoas, em silêncio pedem para ser queridas
Nem percebem que num gesto livre, numa palavra não calculada, estão sendo lindas e adoráveis.
Despidas da beleza dissimulada e vestidas completamente do encanto espontâneo.
Eu as amo irracionalmente (e se ama racionalmente?).
E muitas delas nem sabem, e talvez nunca saberão.

Outras pessoas, em silêncio pedem para serem desprezadas.
Mas essas calculam seus venenos, se orgulham da sua perversidade.
Se dissimulam, mentem, se limitam e aos outros.
Tão fácil se ter aversão por elas, pois elas gritam por isso.
E eu as desprezo sem remorsos nem pudores.

Porque também posso ser amado por uns (como sou)
Como posso ser desprezado por outros (como fui)

Mas é a plenitude quando alguém, desprevinido, é lindo.
Tanto quanto me revira o estômago quando alguém tenta simular uma virtude que não tem.

O que eu tento pedir é verdade!
Sejamos lindos ou feios, mas sejamos verdadeiros.
A verdade é o cosmético mais poderoso que existe.
O elixir da beleza eterna.

Mas apesar de tudo, não temo a contradição, ela faz parte de mim:
Eu amo o que em mim é feio
Porque confio mais nele do que naquilo que eu tento tornar belo.

21 junho 2006

Olhai Além


Vendo essa foto percebo que sempre olhei além.
Mesmo quando a vida era só escola-brincadeira-escola.

Mas meus olhos sempre foram tristes.
Veio a miopia, astigmatismo, mas a tristeza nunca saiu de lá.

E anos se passaram. Pra onde eu olho hoje?

O que eu vejo se olho desprevinido ao redor é essa solidão, essa frustração geral e essa estagnação generalizada.
O que eu vejo no passado é uma sucessão de "quase" "se" "por pouco" "não" "nunca" "depois".
E o que eu vejo no futuro é...
Que é melhor olhar além.

Olhai além
Porque além existe a esperança
Existe a crença que amanhã será diferente.
Além existe um descanso, um oásis.

Além do que?
Além de tudo.

Desde que meus cabelos eram loiros eu olho além.
Já tenho os olhos cansados.
Meus cabelos e minha alma já escureceram
Os desgostos da vida me tingiram de tons escuros.
Mas ainda olho além.
E cada vez mais, porque afinal
Há algo melhor pra se ver?
Além..

Sempre.